
O mangaká Ken Ogino, autor de Lady Justice, revelou que a Weekly Shonen Jump só aprovou a publicação da obra com protagonista feminina após exigir que o mangá tivesse um foco maior em conteúdo erótico. A declaração foi feita pelo próprio autor em uma publicação recente nas redes sociais e rapidamente gerou discussão entre leitores japoneses e fãs de mangá.
Segundo Ogino, sua ideia original para Lady Justice era criar uma espécie de “quadrinho americano produzido no Japão”, utilizando uma heroína forte como centro da narrativa. No entanto, ele afirma que a equipe editorial da Jump acreditava que uma protagonista feminina só funcionaria comercialmente caso o apelo erótico fosse um elemento principal da obra.
Em um dos trechos mais comentados da publicação, o autor afirmou:
“Fui informado pelo editor-chefe da Jump+ na época: ‘Se a protagonista for feminina, não há como publicarmos isso a menos que o erotismo seja o foco principal’.”
A fala atribuída à equipe editorial acabou repercutindo bastante justamente por tocar em uma discussão antiga dentro da indústria de mangás envolvendo representação feminina, ecchi e decisões editoriais em revistas shonen.
Autor diz que queria criar uma heroína “forte”, não um mangá ecchi

Ken Ogino explicou que os elementos eróticos originalmente seriam apenas um complemento da obra, e não o principal atrativo da série.
Segundo o autor, sua intenção era retratar uma protagonista feminina poderosa dentro de uma estrutura inspirada em super-heróis americanos. Ele também comentou que sentia inveja de autores atuais que conseguem publicar protagonistas femininas na Jump sem depender desse tipo de direcionamento editorial.
Ogino ainda mencionou que o one-shot original de Lady Justice surgiu antes da serialização de My Hero Academia. Quando o mangá de Kohei Horikoshi começou oficialmente na revista, o autor afirmou que ele e seu editor chegaram a se desesperar pela semelhança temática envolvendo super-heróis.
Apesar disso, ele reforçou que nunca tentou competir diretamente com My Hero Academia.
Lady Justice teve publicação curta na Weekly Shonen Jump

Lady Justice foi serializado na Weekly Shonen Jump em 2015 e terminou rapidamente com apenas 2 volumes compilados. A obra misturava ação, superpoderes, humor e ecchi, acompanhando a heroína Ameri Kenzaki em batalhas contra criminosos e ameaças sobrenaturais.
Mesmo tendo uma publicação curta, o mangá acabou ficando conhecido entre leitores justamente pela combinação de temática de super-heróis com forte presença de fanservice.
Nos últimos anos, parte dos fãs passou a revisitar obras desse período da Jump para discutir como a revista tratava protagonistas femininas em comparação com a fase atual da indústria.
Debate reacende discussões sobre protagonistas femininas em mangás shonen
As declarações de Ogino reacenderam discussões envolvendo mudanças editoriais na Shonen Jump ao longo da última década. Muitos leitores apontaram que a revista atualmente possui mais espaço para protagonistas femininas sem necessidade de foco constante em erotização, algo que era menos comum durante parte dos anos 2000 e início de 2010.
Ao mesmo tempo, outros fãs comentaram que o mercado shonen ainda continua utilizando fanservice como ferramenta comercial em diversas publicações atuais.
A discussão também acabou chamando atenção porque envolve diretamente uma das maiores revistas de mangá do Japão, responsável por franquias como Dragon Ball, One Piece, Naruto, Jujutsu Kaisen e My Hero Academia.
Sobre Lady Justice
Criado por Ken Ogino, Lady Justice foi publicado na Weekly Shonen Jump em 2015.
A história acompanha Ameri Kenzaki, estudante com força sobre-humana que passa a combater criminosos utilizando seus poderes enquanto tenta lidar com a própria vida escolar e com a atenção pública gerada por suas habilidades.
O mangá mistura ação de super-heróis, comédia e elementos ecchi.
As declarações de Ken Ogino acabaram trazendo novamente discussões antigas sobre direcionamento editorial dentro da indústria de mangás shonen. Mesmo mais de uma década após a publicação de Lady Justice, o comentário do autor voltou a chamar atenção justamente por envolver a relação entre protagonistas femininas, decisões comerciais e o tipo de conteúdo considerado “vendável” dentro da Jump.


